Uma comissão formada por seis prefeitos da AMEPAR (Associação dos Municípios do Médio Paranapanema) participou de uma reunião com a diretoria da Santa Casa de Londrina na sexta-feira (07). Além do presidente da associação e prefeito de Cambé, Conrado Scheller, participaram os prefeitos de Londrina, Tiago Amaral; de Florestópolis, Onicio Souza; de Ibiporã, José Maria Ferreira; de Porecatu, Agamemnon Augusto Araújo; e Silvio Damaceno, de Prado Ferreira.

A comissão foi até a Santa Casa cobrar explicações sobre a situação financeira do hospital, após o Ministério Público ter anunciado, no mês passado, uma intervenção na instituição diante de possíveis irregularidades administrativas e financeiras. De acordo com Conrado Scheller, os prefeitos querem entender o processo de forma mais detalhada.
“Precisa ter auditoria, sim. Quem tem medo de auditoria tem medo da verdade, e ela é sempre bem-vinda em qualquer local. A Santa Casa não pode perder a credibilidade, e o atendimento aos pacientes não pode ser atingido por isso”, afirmou.
Ainda de acordo com o presidente da AMEPAR, os prefeitos não estão fazendo juízo de valor, mas sim defendendo a continuidade do atendimento aos pacientes, que são os que realmente precisam do hospital. “O Ministério Público está dizendo que há motivos para fazer a intervenção, e o Tribunal de Justiça diz que não — essa instabilidade gera insegurança. Nós, prefeitos, também estamos cobrando o Estado, que tem a obrigação de trazer a transparência que a sociedade e o Ministério Público estão pedindo”, disse.

Atualmente, pacientes de todos os 22 municípios que fazem parte da AMEPAR são atendidos na Santa Casa de Londrina. De acordo com dados divulgados pelo próprio hospital, nos últimos 12 meses foram quase 160.000 atendimentos somente de pessoas que moram na região da AMEPAR. No último dia 27 de julho, a AMEPAR realizou, a pedido do Ministério Público, uma reunião com os prefeitos para tratar da intervenção judicial na Irmandade Santa Casa. Após o encontro, os prefeitos decidiram solicitar a habilitação da associação no processo judicial. O motivo alegado vai ao encontro dos dados divulgados pelo hospital: o tema possui evidente repercussão regional, pois a Santa Casa presta serviços de saúde à população de Londrina e dos demais municípios integrantes da AMEPAR.

O prefeito de Londrina, Tiago Amaral, disse que um levantamento exato de tudo o que está acontecendo é necessário para que os gestores possam tomar atitudes no sentido de garantir que as pessoas não fiquem sem assistência.
“Nós queremos a garantia de que o atendimento à população não será comprometido diante desse cenário e que não haverá problema assistencial. Se de fato existe uma grave crise financeira no hospital, qual é o risco para a compra de insumos e para o atendimento em geral? Se isso se confirmar, nós, como contratantes do serviço, teremos que tomar atitudes”, disse.
O prefeito de Londrina também afirmou que tudo o que tem ocorrido na Santa Casa já foi levado por ele a Curitiba. O objetivo é cobrar o Estado para que não haja comprometimento nos serviços. “30% de todos os atendimentos de Londrina estão na Santa Casa e, se isso for comprometido, teremos um colapso na saúde local. Já levei a questão a Curitiba, e estamos acompanhando tudo com mais fiscalização e cobrando o Estado”, afirmou.